Saudade da Barsa!!!

Discussões!!! Idéias opostas! Defesa de pensamento! Contraposições!

Isso tudo faz parte do ser social que somos nós.

Em todas as áreas as oposições de idéias, pensamentos e opiniões são imprescindíveis para o avanço!

São espécie de adubo para novas descobertas, para novos experimentos, novos rumos e caminhos.

Aquele que discorda de mim, me ajuda a evoluir.

A questão é que atualmente a discordância tem acontecido pela forma e não pelo conteúdo. Discordo de você não porque o que você sustenta é diferente do que eu penso. Mas pelo simples fato de você ser diferente!

Me explico.

Um determinado político que usa cores amarelas emprega um parente, ao que discordo com veemência pois ele usa cores amarelas. Não pelo fato de eu concordar ou não com o emprego do dito parente.

Pois, o mesmo fato, agora praticado pelo político que usa cor azul, tem meu aval.

Assim, a discordância pela discordância acontece sempre por motivos periféricos, e alheios ao verdadeiro conteúdo e objeto da discórdia!

Isso, a meu ver, respeitando as opiniões conteudisticas contrárias, tem duas causas maiores – excluindo os casuísmos – que são:

1. A excessiva polarização de tudo! Hoje parece que tudo virou um Fla-Flu! Parece que pra tudo você precisa ter um lado. Nem sempre “a” ou “b” são as únicas possibilidades. E nem sempre são excludentes.

O que nos leva a segunda e principal causa:

2. A falta de conhecimento sobre tudo. Vivemos na Era da informação, e nunca tivemos tanta desinformação assim.

As pessoas aparentemente sabem de tudo, qualquer assunto. Opinam e discutem como especialistas em qualquer área. Mesmo, e principalmente, nas áreas que detém pouco ou nenhum conhecimento.

Maioridade penal, desarmamento, sexualidade, habitação popular, leis e decretos, spread bancário, dívida pública, macroeconomia, tudo conteúdo de fácil acesso. Vide Facebook e demais redes sociais.

A falta de conhecimento só perde para a falta de noção e bom senso dos doutores em tudo.

Chega me dar certa saudade da Barsa, Mirador, entre outras enciclopédias.

Tempo em que perguntar, ouvir e aprender eram atividades anteriores a opinar!

Feliz Tempo Novo

 

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Feliz ano novo!

A passagem do ano nos traz muitos sentimentos.

Renovação, perdão, recomeço, um novo ciclo, novas oportunidades, etc.

Mas a passagem do ano nos remete diretamente a passagem do Tempo!

Ah o tempo! Esse senhor de barbas brancas, incólume, sereno.

O tempo passa pra todos, mas nem sempre da mesma forma!

Uma hora pra quem se diverte em um parque parece um pequeno instante, já um minuto pra quem sente dores em um leito de hospital, parece a eternidade.

A Bíblia já dizia que um ano é como um dia, e um dia como um ano.

Disse também que há tempo pra tudo! Tempo de sorrir, tempo de chorar, tempo de plantar, tempo de colher! E assim segue!

Aristoteles – que foi o primeiro filósofo a se questionar sobre o tempo – dizia que o tempo “é a medida da mudança”!

Assim, só há passagem de tempo se há mudança!

É preciso prosseguir, é preciso caminhar, é preciso movimento!

Afinal, já dizia o poeta – “Importa caminhar, pois é caminhando que se faz o caminho!”

Ano novo, e meu desejo é que você tenha bons caminhos! E boas doses de mudança!

Sobre o tempo passar rápido demais ou lento demais, fico com a hipótese do coelho da fábula de Alice no País das Maravilhas.

“Quanto tempo dura o eterno?, pergunta Alice, As vezes, apenas um segundo, responde o Coelho Branco!”

Penso, logo…

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O ato de encher pressupõe um prévio esvaziamento.

Esse foi o princípio básico do qual partiu o raciocínio de Descartes antes de formular a célebre frase – “Penso, logo existo”.

O dito filósofo se propôs a um esvaziamento de ideias, de conceitos, de conhecimentos, até ao ponto mínimo, onde só lhe restou o “pensar”.

A partir de então, começa a formular – ou reformular – toda sorte de raciocínios, ideias e conhecimentos.

Diz Descartes:

Decidi fazer de conta que todas as coisas armazenadas no meu espírito até aquele momento eram tão ilusórias como meus sonhos

Taí uma lição muito válida para os dias de hoje.

Vivemos numa sociedade de conceitos, ideias e conhecimentos muitas vezes enlatados, pré moldados e que, sob uma ótica mais crítica, não condizem com a realidade e se dissociam da práxis cotidiana.

Nesse ponto, é preciso – como disse e fez o filósofo – se livrar de toda carga a priori e reconstruir conceitos, ideias e conhecimentos a partir do simples raciocínio desconexo das experiências e conhecimentos anteriores.

É preciso atingir um nível de sinceridade e transparência intelectual capaz de disermos: “Não sei”, ou, “Posso estar errado”.

Pensar, ou repensar, conceitos já construídos e estabelecidos por nós, é tão importante quanto pensar ou refletir sobre o novo.

Afinal, o novo será moldado pela cabeça enlatada que já temos!

 

Simplifique!

A vida anda agitada!

Cada dia parece que temos menos tempo, mais tarefas, mais necessidades, mais demandas, mais tumulto!

Muitas vezes – quase sempre – Gadgets, aplicativos e novas tecnologias que vieram pra “nos ajudar”, parece que estão, de fato, nos atrapalhando, ou no mínimo, nos enchendo mais de tarefas e afazeres.

E isso vale tanto para questões pessoais, profissionais, educacionais, familiares, e até, pasmem, nas nossas atividades de lazer.

Pois bem.

Juntamente com toda essa carga de afazeres amontoados, somados a tantos Gadgets e tecnologias, alguns pensaram em técnicas, ferramentas e metodologias para nos ajudar a “sair dessa”, e de fato produzir mais com menos (seja tempo a referência, ou dinheiro, ou esforço, etc).

Uma dessas “metodologias” é a que se denomina “Design Thinking”.

O Design Thinking pode ser definido de várias formas, autores renomados costumam dizer que “se pedirmos pra 10 especialistas definirem o Design Thinking teremos 11 definições diferentes”.

Mas, de fato, sem contornos ou conceituações excessivamente teóricas, o Design Thinking é uma metodologia baseada no raciocínio de um designer pensando em criar uma empatia tamanha com o usuário e a partir daí, analisar, criar e expor soluções simples e criativas – novamente, desde o ponto de vista do usuário (de serviços ou produtos).

Assim, utilizando de métodos e processos comuns aos designers, vamos simplificar toda possível abordagem e partir para soluções criativas, priorizando o trabalho colaborativo e multidisciplinar.

Em suma.

Veja essas três maneiras de resolver um problema.

Grosseiramente falando, podemos resolver um problema “de dentro” – eu tenho um problema, e resolvo desde o meu ponto de vista. A falha reside no fato de por estar inserido no problema muitas vezes estamos fechados a possíveis soluções.

Podemos também resolver um problema “de fora”. Alguém tem um problema, e eu visualizando a situação de fora, introduzo soluções. Tem-se aqui, geralmente, soluções mais criativas. A falha fica por conta do fato de que eu não conheço o problema “de dentro”, o que pode, e invariavelmente acontece,  de termos soluções desconexas com a realidade da questão, causando outros problemas ou ate mesmo agravando a situação.

Quem nunca ouviu as expressões, “resolver o problema do outro é fácil, difícil é o meu problema”, ou, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

Posso também usar a metodologia do Design Thinking. De fora, me introduzo na situação (um verdadeiro exercício de imersão), e a partir daí começo uma análise colaborativa, e multidisciplinar, tentando destrinchar a questão sob as mais variadas óticas possíveis. E só após um olhar amplo, completo, passo a “desenhar’ possíveis soluções.

Essa metologia pode ser aplicada a qualquer tipo de produto ou serviço. Pense na imersão de uma equipe multidisciplinar na tentativa de melhorar o atendimento de uma clinica ou hospital. Com especialistas, olhando como usuários dos serviços de saúde, e não como prestadores, poderiam melhorar a vida de enfermos.

Ou qual seria a visão multidisciplinar e colaborativa que ajudaria um estudante – usuário – a melhorar sua interação com a escola, com os professores com o conteúdo, etc.

Como dissemos, tal metodologia pode ser aplicada a qualquer tipo de serviço ou produto.

Além das empresas, produtos e serviços, podemos também usar o Design Thinking para melhorar nossa produtividade, nossa dinâmica pessoal, e assim, desatolarmo-nos desse mar de afazeres que só aumenta com a pós modernidade.

Não é atividade fácil, mas é um começo!

P.S.- Esse não é um texto cientifico ou aprofundado sobre Design Thinking. É apenas uma troca de idéias sobre a vida e como melhora-lá.

P.S.- Muitos são os livros e textos que eu poderia indicar. Para não passar em branco, e também para não poluir demais, segue indicação de um livro que julgo particularmente ser um dos referenciais da área.

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Não importa!

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Motociclismo é uma paixão!

Mas também é muito mais que isso! Motociclismo é lição de vida!

Falei sobre planejamento e também sobre aproveitar os perrengues da vida para crescer, lição das longas viagens de moto, mas há muito ainda que se aprender com a interação homem – motoca!

Um detalhe!

Todas as vezes que motociclistas se cruzam na estrada, faz-se um sinal – braço estendido – de cumprimento, respeito e desejos – silenciosos – de boa rodagem.

O detalhe oculto!

Quando o cumprimento, o respeito, e o desejo de boas coisas é feito, não se conhece o destinatário.

Não é possível saber quem é o outro! Pode até, por uma grande coincidência, ser um velho amigo, mas, de regra, é um desconhecido.

A lição!

Não importa a cor da pele, não importa a religião, não importa detalhes de sua vida sexual, sua orientação, se é gordo ou magro, rico ou pobre, pai ou filho, casado ou solteiro, homem ou mulher, de direita ou de esquerda, se pensa como eu ou não.

Importa o companheirismo. Importa a empatia. Importa a alteridade. Importa o respeito!

A vida fora das duas rodas poderia copiar esse modelo. Tanto on, quanto off line.

Uma vez que características físicas, emocionais, psicológicas, financeiras, sexuais, religiosas, deixassem de ser importantes, a luz sobre o respeito, a empatia, a alteridade, brilharia muito mais!

É hora de distinguir o que importa e o que não importa!

Não te conheço, amigo leitor, mas meu desejo é de boa rodagem. Que sua viagem por essa vida seja maravilhosa. Que sua estadia nesse mundo seja de brilho!

E não se esqueça. Mesmo nos momentos sombrios, haverá alguém com o braço estendido. Te respeitando, e desejando tudo de melhor pra você!

Boa rodagem!

De Hawking a Orwell

Há tempos atrás me dediquei a uma leitura fora do meu eixo de pesquisa, fora da minha zona de conforto literária.

Me refiro ao livro do Físico mundialmente famoso, e recém falecido, Stephen Hawking sobre Buracos Negros.

Aprendi bastante, primeiro por nada saber do assunto, então tudo o que li foi acréscimo. Segundo por não entender parte do que li, então fui a pesquisa.

Mas o que me leva a essa referência nesse texto é o sentido de uma das primeiras frases do livro:

“Dizem que às vezes a realidade é mais estranha que a ficção”.

Por óbvio, tratava Hawking das elucubrações da ficção cientifica a respeito dos buracos negros, e de sua mais fantástica e surpreendente realidade.

No entanto, a frase em questão me transportou para outro grande escritor, George Orwell, mais especificamente a um brilhante livro de titulo “A Revolução dos Bichos”.

A narrativa é uma fábula onde bichos se conversam e tentam se libertar de poderes opressores – inicialmente humanos, mas que desencadeiam outros tipos de opressão e opressores.

Sem mais para não dar spoiler!  (vale muito a leitura – talvez seja mais atual hoje que à época)

É uma fabula sobre o poder.

Para não me alongar, a frase do Hawking me faz lembrar das ovelhas de Orwell.

Na fábula citada, cada tipo de animal tinha uma função, ou esteriótipo, específicos. No caso das ovelhas era (sem muitos detalhes para não atrapalhar a sua leitura do livro) concordar cegamente com a revolução e seus mandatários.

Assim, bradavam aos quatro cantos frases feitas em favor da revolução. Não compreendiam o que falavam, sequer entendiam a revolução ou o que se passava. Como animais de baixo nível intelectual, seu papel era tão somente esbravejar frases feitas deixando assim explícito seu apoio cego e seu baixo nível intelectual.

Entendem porque a frase do Hawking me lembrou Orwell?

Parece-me que a triste realidade é ainda mais estranha que a ficção. Em tempos de mídias sociais, de esbravejamento virtual, de frases prontas, conceitos enlatados, opiniões sem quaisquer bases, é possível julgar, sentenciar, opinar, mesmo sem conhecer, mesmo sem saber ao menos do que se trata.

Em tempos de mídias sociais a realidade supera a estranheza das ovelhas de baixo nível intelectual

Tenho medo.

Você conhece quem te governa?

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Governar é, segundo o dicionário, “ter mando”, “dirigir”, “administrar”, “decidir”. Daí vem a pergunta título desse post: Você sabe quem te governa?

Mais uma vez não trataremos de política, mas sim da vida propriamente dita.

Resposta direta: você!

Sim, você. É você quem dirige sua vida, quem tem mando sobre ela, quem a administra, e quem decide o que fazer ou não fazer.

De acordo com a tradição cristã, foi nos outorgada a possibilidade de decidir sobre nossas vidas. Ainda que interferências externas possam, circunstancialmente, abalar de alguma forma nossa direção, somos nós quem decidimos o que fazer, como fazer, e quando fazer.

A isso, o cristianismo – mas não só ele – chama de Livre Arbítrio.

Doutro lado, flertando com o ateísmo, a filosofia existencialista – que tem em Jean Paul Sartre um dos seus maiores expoentes – decreta que estamos “condenados a ser livres”.

Ressalta que a vida é como uma folha de papel em branco, e nós que decidiremos o que escrever, ou não escrever.

Cita: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo”.

Duas linhas diferentes de pensamento, o mesmo conceito.

Somos nós os responsáveis por nós. Cada um deve decidir por si.

Nesse ponto, retomamos a indagação inicial. Você conhece quem te governa?

Já aconselhava o aforisma de Delfos “Conhece-te a ti mesmo”, salientando a importância do autoconhecimento.

Quando começamos um namoro, queremos conhecer nosso parceiro em sua totalidade, seja para agradá-lo, seja para nos resguardar.

Quando vamos concorrer a uma vaga de emprego tentamos conhecer ao máximo aquela vaga, a empresa, os envolvidos.

Na maioria das vezes, no micro, nas pequenas ações da vida, buscamos conhecer. As pessoas, as coisas, os lugares, as nuances, etc.

E muitas vezes passamos a vida sem nos conhecer. Justo quem mais importa, justo quem tem mando, quem dirige, quem decide.

Somos uma somatória de decisões e omissões que acumulamos durante a vida.

Autoconhecimento é o primeiro passo para decidir melhor, para administrar-se melhor, para ter o melhor mando.

A despeito das circunstâncias, das intempéries da vida, você é o autor da sua história.

Nesse ponto, importa antes ler e entender nossa autobiografia.

Voltamos ao conselho de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”.