De Hawking a Orwell

Há tempos atrás me dediquei a uma leitura fora do meu eixo de pesquisa, fora da minha zona de conforto literária.

Me refiro ao livro do Físico mundialmente famoso, e recém falecido, Stephen Hawking sobre Buracos Negros.

Aprendi bastante, primeiro por nada saber do assunto, então tudo o que li foi acréscimo. Segundo por não entender parte do que li, então fui a pesquisa.

Mas o que me leva a essa referência nesse texto é o sentido de uma das primeiras frases do livro:

“Dizem que às vezes a realidade é mais estranha que a ficção”.

Por óbvio, tratava Hawking das elucubrações da ficção cientifica a respeito dos buracos negros, e de sua mais fantástica e surpreendente realidade.

No entanto, a frase em questão me transportou para outro grande escritor, George Orwell, mais especificamente a um brilhante livro de titulo “A Revolução dos Bichos”.

A narrativa é uma fábula onde bichos se conversam e tentam se libertar de poderes opressores – inicialmente humanos, mas que desencadeiam outros tipos de opressão e opressores.

Sem mais para não dar spoiler!  (vale muito a leitura – talvez seja mais atual hoje que à época)

É uma fabula sobre o poder.

Para não me alongar, a frase do Hawking me faz lembrar das ovelhas de Orwell.

Na fábula citada, cada tipo de animal tinha uma função, ou esteriótipo, específicos. No caso das ovelhas era (sem muitos detalhes para não atrapalhar a sua leitura do livro) concordar cegamente com a revolução e seus mandatários.

Assim, bradavam aos quatro cantos frases feitas em favor da revolução. Não compreendiam o que falavam, sequer entendiam a revolução ou o que se passava. Como animais de baixo nível intelectual, seu papel era tão somente esbravejar frases feitas deixando assim explícito seu apoio cego e seu baixo nível intelectual.

Entendem porque a frase do Hawking me lembrou Orwell?

Parece-me que a triste realidade é ainda mais estranha que a ficção. Em tempos de mídias sociais, de esbravejamento virtual, de frases prontas, conceitos enlatados, opiniões sem quaisquer bases, é possível julgar, sentenciar, opinar, mesmo sem conhecer, mesmo sem saber ao menos do que se trata.

Em tempos de mídias sociais a realidade supera a estranheza das ovelhas de baixo nível intelectual

Tenho medo.

Você conhece quem te governa?

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Governar é, segundo o dicionário, “ter mando”, “dirigir”, “administrar”, “decidir”. Daí vem a pergunta título desse post: Você sabe quem te governa?

Mais uma vez não trataremos de política, mas sim da vida propriamente dita.

Resposta direta: você!

Sim, você. É você quem dirige sua vida, quem tem mando sobre ela, quem a administra, e quem decide o que fazer ou não fazer.

De acordo com a tradição cristã, foi nos outorgada a possibilidade de decidir sobre nossas vidas. Ainda que interferências externas possam, circunstancialmente, abalar de alguma forma nossa direção, somos nós quem decidimos o que fazer, como fazer, e quando fazer.

A isso, o cristianismo – mas não só ele – chama de Livre Arbítrio.

Doutro lado, flertando com o ateísmo, a filosofia existencialista – que tem em Jean Paul Sartre um dos seus maiores expoentes – decreta que estamos “condenados a ser livres”.

Ressalta que a vida é como uma folha de papel em branco, e nós que decidiremos o que escrever, ou não escrever.

Cita: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo”.

Duas linhas diferentes de pensamento, o mesmo conceito.

Somos nós os responsáveis por nós. Cada um deve decidir por si.

Nesse ponto, retomamos a indagação inicial. Você conhece quem te governa?

Já aconselhava o aforisma de Delfos “Conhece-te a ti mesmo”, salientando a importância do autoconhecimento.

Quando começamos um namoro, queremos conhecer nosso parceiro em sua totalidade, seja para agradá-lo, seja para nos resguardar.

Quando vamos concorrer a uma vaga de emprego tentamos conhecer ao máximo aquela vaga, a empresa, os envolvidos.

Na maioria das vezes, no micro, nas pequenas ações da vida, buscamos conhecer. As pessoas, as coisas, os lugares, as nuances, etc.

E muitas vezes passamos a vida sem nos conhecer. Justo quem mais importa, justo quem tem mando, quem dirige, quem decide.

Somos uma somatória de decisões e omissões que acumulamos durante a vida.

Autoconhecimento é o primeiro passo para decidir melhor, para administrar-se melhor, para ter o melhor mando.

A despeito das circunstâncias, das intempéries da vida, você é o autor da sua história.

Nesse ponto, importa antes ler e entender nossa autobiografia.

Voltamos ao conselho de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”.

A Viagem da Vida

moto

Eu ando de moto! Viajo de moto.

E viagem de moto tem duas características marcantes.

A primeira é que planejamos muito. Muito mais do que qualquer outro tipo de viagem. Mais que avião, carro, barco, etc.

Pensamos nos detalhes. Nos preparamos pra tudo. Tentamos cobrir todas as possibilidades.
Vemos o clima, trânsito, hotéis e postos de combustível no caminho.
Verificamos a moto, fazemos revisão. Andamos com caixa de ferramentas e kits de reparos de pneus.
Trabalhamos com estratégia e planejamento.

A segunda característica marcante de uma viagem de moto é que, via de regra, muita coisa foge do planejado. Muita coisa da “errado”. Todo nosso cuidado minucioso ainda é incapaz de nos livrar de apertos, de imprevistos, de situações complicadas e às vezes até perigosas.
Ah! Os perrengues!!! Os perrengues!!!

E no final! As histórias, os sorrisos, as experiências, as gargalhadas, os aprendizados, e as melhores lembranças são justamente dessas situações por vezes inusitadas!

Assim é a vida!

É necessário muito planejamento. A estratégia pode fazer toda a diferença no sucesso ou não de sua jornada – seja profissional, pessoal, familiar!

Mas as experiências, o aprendizado, as boas lembranças, sempre serão dos momentos de perrengues!

O que a viagem de moto nos ensina?

Planeje! Trace metas! Bole estratégias! Mas curta cada minuto de sua viagem. Curta os perrengues – afinal eles te ensinam muito mais!

Curta as dificuldades, não profane-as! Delicie-se quando nada der certo! Aprenda! E terá muito mais prazer quando tudo der certo! Quando alcançar a meta! Quando chegar ao seu destino!

Afinal, o que é a vida senão uma viagem?

Boa viagem meus amigos!

Bolsonaro vs Haddad

Esse não é um post sobre política!

Ok, o título traz os nomes dos candidatos do segundo turno. Também posso até citar, como exemplo, algum fato ou passagem político eleitoral.

Mas não é sobre política!

Quero falar sobre a necessidade humana de se classificar tudo em uma, ou várias, dicotomias.

Bem e mal. Meu e seu. Verdade e mentira. Certo e errado.

Tudo de fato é classificável. Contudo, o ser humano vai além das separações, extrapola limites, perde o senso, perde a razão, se entrega a uma idéia e a defende contra tudo e todos.

Parece política né! Mas pense! Seu time é sempre melhor, e quando não o é, foi “roubado”, prejudicado.

Sua religião é melhor que a outra.

À direita é melhor que a esquerda…. ok, parei. Não é sobre política.

O que quero dizer é que precisamos de mais alteridade, precisamos conhecer mais, não do nosso, mas o do outro.

Precisamos tomar tempo pra entender que a vida que é vivida pelo outro não é a nossa. E, dessa forma, nossas soluções, invariavelmente, não são soluções aptas aos problemas alheios.

Não importa seu ponto de vista quando seu olhar tem foco em seu umbigo.

Todos pontos de vista são perspectivas verdadeiras pra quem olha e antagônicas pro outro lado!

Pense nisso! Sua verdade pode parecer absurda àquele que percebe doutro ponto de vista.

Me explico.

Você e um grande amigo fazem uma viagem a fim de explorar cachoeiras.

Ocorre que seu amigo têm vertigens e medo de altura, e você é um escalador nato.

Visitam a mesma Cachoeira, no mesmo dia, mesmo horário, mesmas condições climáticas, etc.

Ele a vê de baixo, onde a água que cai toca o Rio e produz um espetáculo de cores. E você a admira de cima, de onde a queda inicia, num altiplano maravilhoso.

Vocês descreverão, com certeza, a mesma Cachoeira de forma totalmente diferente.

Quem está certo? Qual relato é verdadeiro? Quem tem mais capacidade de entender o complexo cenário natural?

Pois bem, chegamos ao ponto que queria.

Ter lado, ter opinião é ótimo desde que, primordialmente, se tenha respeito e alteridade.

Não há nada de errado em opinar, em defender sua opinião. Seja ela política, religiosa, esportiva, etc.

Mas saiba que sua opinião não reflete, absolutamente, na verdade vivida pelo próximo.

Professor do século 21 não professora mais!

Há tempos li uma frase que me instigou a escrever e palestrar sobre o tema.

“Formamos alunos para um mundo que não existe mais”.

De fato, nosso sistema de ensino deveras muito defasado. Tratamos nossos alunos (do maternal a faculdade) como éramos tratados, ou como tratavam nossos pais e avós – aqui cabe uma ressalva em relação ao comportamento e respeito.

Contudo, no que se refere à ensino, ainda “cartilhamos”. Praticamente forçamos alunos ao ‘control C + control V’ pois queremos usar a tecnologia sem mudar a metodologia.

É certo que juntamente com os problemas, a tecnologia também trouxe muita vantagem e soluções para aprendizado.

E poderíamos aqui tratar de varias nuances desse tema. Mas pelo adiantado do texto, vamos nos conter a expressão cunhada no título.

Professor não professora mais!

Digo isso pois a função primordial (entre tantas outras) de um professor, era, outrora, transmitir informação e ensinar seus alunos as temáticas pertinentes a determinada matéria.

Assim, um professor de química, entre outros temas, precisava informar aos alunos sobre a existência, funções e especificidades da tabela periódica.

Nos dias atuais, um professor não informa mais. Num mundo onde a informação circula em velocidade inalcançável e em proporções inimagináveis, não é possível que um professor compita, por exemplo, com o Google – nem em quantidade, nem em relação à qualidade da informação.

Nesse ponto, digo que a função (primordial) do professor do século 21 não mais é transmitir a informação (que em tempos passados não era acessível aos alunos), mas sim de gerir, de gerenciar, a quantidade, qualidade, profundidade e até a autenticidade da informação que chega ao aluno.

Professor não professora mais, professor agora é gestor de informação!

É preciso deixar de competir com novas tecnologias, especialmente as de conhecimento, e passar a coordenar o acesso a elas.

O professor gestor de informação deve, acima de tudo, inserir novas tecnologias, despertar a curiosidade para aquilo que lhe é proposto, selecionar e direcionar conteúdos, trabalhar as competências, e gerenciar seus alunos por esse novo, é irreversível caminho.

Gerir! Essa é a nossa atual missão!

P.S. – esse texto é baseado em partes de uma palestra intitulada “Os desafios da educação na era digital”, e está sendo publicado em homenagem a todos nossos mestres.

Minha declaração de voto!

Em tempos de eleições, segundo turno, ânimos inflamados, e até de ódio disseminado on e off line, torno públicos os meus votos!

Faço votos que o Brasil ganhe!

Faço votos que a democracia prevaleça.

Faço votos que o ódio cesse e que a harmonia reine em seu esplendor.

Faço votos que as discussões inflamadas não acabem com longas e saudáveis amizades.

Faço votos que as famílias se unam, mesmo com pensamentos opostos.

Faço votos que possamos nos expressar sem medo e sem rótulos.

Faço votos que a economia cresça, e que um maior número de brasileiros se beneficie disso.

Faço votos que nossos políticos sejam mais conscientes, e mais respeitosos também.

Faço votos que a eleição acabe, e o respeito não!

Respeito na guerra, real ou virtual.

Gosto de ler. Acho que já citei isso aqui. Mas entedio-me com certa facilidade. Assim sendo, sempre leio vários livros ao mesmo tempo.

De regra, escolho livros com temáticas diferentes – para não fundir as páginas e confundir as ideias.

Um romance, um livro de filosofia, um clássico sobre macroeconomia (tema que me interessei e dediquei bons momentos ultimamente), best-sellers de lista de mais vendidos – afinal, até para criticar é imperioso que se conheça.

E em tempos de comentários belicosos em redes sociais em razão da polarização política e da terceirização da opinião muito por conta do efeito manada (em ambos, ou todos, os lados), me dediquei a leitura de um clássico.

“A paz perpétua” do complexo filósofo Immanuel Kant.

Cito a leitura pois uma frase – entre tantas boas e contextualizadas ideias – me chamou a atenção.

Falando de guerra, numa análise fria e perspicaz, diz o filósofo que mesmo nesses tempos extremos, há necessidade de “uma certa confiança na consciência do inimigo”.

Contextualizando, há de se acreditar, mesmo em tempos donde se extrai o pior da humanidade, no respeito consciente de um lado para com outro.

Quiçá seja uma lição importante para os tempos de redes sociais inflamadas, inconsequentes, desrespeitosas, e ignorantes (na acepção de não se saber).

O respeito, a consciência do outro, a alteridade, são características essências em qualquer sociedade. Na paz e na guerra. No bate papo no ‘buteco’ e nas publicações virtuais.

Kant tem razão. Pena a superficialidade das discussões virtuais nos distanciar de tão boas leituras.

P.S. – Não importa seu “lado”, seu candidato, suas crenças. Importa seu respeito, sua alteridade, e sua consciência do outro!