Respeito na guerra, real ou virtual.

Gosto de ler. Acho que já citei isso aqui. Mas entedio-me com certa facilidade. Assim sendo, sempre leio vários livros ao mesmo tempo.

De regra, escolho livros com temáticas diferentes – para não fundir as páginas e confundir as ideias.

Um romance, um livro de filosofia, um clássico sobre macroeconomia (tema que me interessei e dediquei bons momentos ultimamente), best-sellers de lista de mais vendidos – afinal, até para criticar é imperioso que se conheça.

E em tempos de comentários belicosos em redes sociais em razão da polarização política e da terceirização da opinião muito por conta do efeito manada (em ambos, ou todos, os lados), me dediquei a leitura de um clássico.

“A paz perpétua” do complexo filósofo Immanuel Kant.

Cito a leitura pois uma frase – entre tantas boas e contextualizadas ideias – me chamou a atenção.

Falando de guerra, numa análise fria e perspicaz, diz o filósofo que mesmo nesses tempos extremos, há necessidade de “uma certa confiança na consciência do inimigo”.

Contextualizando, há de se acreditar, mesmo em tempos donde se extrai o pior da humanidade, no respeito consciente de um lado para com outro.

Quiçá seja uma lição importante para os tempos de redes sociais inflamadas, inconsequentes, desrespeitosas, e ignorantes (na acepção de não se saber).

O respeito, a consciência do outro, a alteridade, são características essências em qualquer sociedade. Na paz e na guerra. No bate papo no ‘buteco’ e nas publicações virtuais.

Kant tem razão. Pena a superficialidade das discussões virtuais nos distanciar de tão boas leituras.

P.S. – Não importa seu “lado”, seu candidato, suas crenças. Importa seu respeito, sua alteridade, e sua consciência do outro!

SOBRE CAMPANHAS ELEITORAIS: Os Dados Estão Lançados!

O título acima tem pra este post uma dupla conotação. Isso porque a frase “Os dados estão lançados” nos remete a uma dose de sorte, algo em torno de jogos, ou melhor ainda, para nosso caso, aquilo sobre o qual nem sempre temos domínio.

Nesse ponto, a vontade do eleitor que já fora outrora manipulada de diversas formas -vide primeiro post da série “Sobre campanhas Eleitorais”- atualmente tem tido cada vez mais independência e autonomia. Assim, o controle incisivo sobre o eleitor está cada vez mais fragilizado. O que do ponto de vista do amadurecimento da democracia é excepcional.

Contudo, a despeito da primeira conotação do título, gostaríamos de nesse post nos ater ao segundo entendimento, qual seja: ” os dados (informações) estão lançados ”

No post anterior indagamos sobre se você sabe ouvir. Dissemos que ouvir é mais que escutar, e que compreender o eleitor é fundamental no exercício digno das funções de candidato e político.

Pois bem.

Se aprendermos ouvir nossos eleitores passamos para uma segunda fase tão importante e complexa quanto fundamental em momentos Eleitorais, e também nos momentos de exercício do cargo eletivo.

Nesse cenário precisamos trabalhar com as informações colhidas. Parece, em primeira analise, algo bastante superficial e de fácil execução, mas não o é.

A ciência política é ramo das ciências sociais, e tal como sua matriz não trabalha com exatidão, mas sim e justamente com o oposto disso. As incertezas, as dúvidas, as diferenças, as infinitas possibilidades, dão a beleza e complexidade desse tipo de relação, as relações humanas.

É fácil de se notar que em uma discussão comum entre casais – as famosas DR (discussão de relacionamento) – pessoas tão próximas não conseguem se entender. Mesmo querendo agradar muitas vezes um cônjuge ouve do outro “você não me entende”, ao que lhe é retrucado – “mas eu fiz justamente o que me pediu”, e uma frase célebre encerra a discussão: ” Eu disse isso, mas não foi isso que eu ‘quis’ dizer”

Apesar da cena acima não ter nenhuma relação com eleição ou política, ela nos da duas lições básicas para trabalhar com a informações colhidas junto aos eleitores e representados.

Primeiro. Entenda que as relações humanas são demasiadamente complexas, e aceite isso. Casais que estão juntos há anos e que se amam se desentendem. Imagine você e seus interlocutores, que trilham caminhos muitas vezes curtos e distantes.

E segundo. Nem sempre a informação colhida serve para ser operacionalizada. Você pode indagar, então qual a utilidade de se colher informações?

Informações servem para serem estudadas e não operacionalizadas. Isso porque nem sempre – como no exemplo acima – o que se diz corresponde ao que se quis dizer, ou ao que se quer, o que se deseja.

Ouça, estude, compreenda…. Mas ainda não operacionalize.

Curta nosso post e inscreve-se. Assim você poderá acompanhar nossas próximas publicações.

REFORMA POLÍTICA: ATIVISMO LEGISLATIVO

No post passado tratamos do atual estágio de “rapidez” do nosso legislativo – em especial da Câmara dos Deputados. Por óbvio não concordamos com boa parte do modus operandi daquela Presidência haja vista a ineficiência científica e democrática que alicerça as recentes votações.

Matérias de extrema importância estão sendo levadas ao plenário e discutidas as pressas, desconsiderando estudos importantes da própria casa legislativa, pareceres de estudiosos e especialistas, projetos e opiniões populares, etc.

Nesse sentido temos observado um ATIVISMO legislativo nunca dantes visto em nenhuma das casas federais brasileiras.

Diferentemente do não tão recente ATIVISMO judicial a que fomos acometidos (e ainda somos), onde o Poder Judiciário extrapolou suas funções em nome da “eficiência” pragmática e sem quaisquer padrões invadiu reiteradas vezes as funções especialmente do legislativo, este último tem, em suas próprias funções, extrapolado em relação a coerência e cientificidade de suas próprias funções. Isto também em nome de uma eficiência – falaciosa e tendenciosa – pragmática que destoa da qualidade dos nossos representantes e de seus discursos e discussões em plenário.

Exemplos temos aos montes, começando pela temática dessa série, Reforma Política, passando pela lei de terceirização, redução da maioridade penal, ajustes fiscais, e, doravante, das discussões a respeito do pacto federativo.

Importa ressaltar que não há de nossa parte objeção em relação ao conteúdo, e nem tampouco em relação a necessidade premente e urgente na discussão e votação dos referidos temas.

O que ocorre é que o excesso na rapidez dos processos legislativos nos tira a possibilidade de crescimento democrático e transforma tais temas em números.

Nesse sentido, nosso legislativo – novamente em especial a Câmara dos Deputados – tem alcançado números recordes, e tem atingido um grau de “eficiência” numérica inédito no país.

Daí cabe uma singela e sutil análise: o que importa ao país, qualidade ou quantidade?

Antes mesmo de dar chances de respostas ou discussões, peço vênia para alterar o questionamento feito acima. O que importa a atual Presidência da Câmara (ou sendo mais direto, ao Presidente da casa), qualidade ou quantidade?

Pois bem.

Com a já falada baixa densidade democrática que sofremos em nosso país, agindo em conjunto com um baixíssimo interesse popular nas questões públicas e na falta de memória político-eleitoral do nosso povo, o que restarão daqui a algum tempo (talvez em 3 anos!!!) serão os números. E a frieza dos números meus amigos, não mentem!

Teremos o melhor e mais eficiente presidente de uma casa legislativa que este país já viu! Aquele que quantitativamente mais estremeceu os processos legislativos do país. Aquele que qualitativamente conseguiu por em pauta e discutir os temas que sempre assombraram nosso legislativo – ainda que sem a devida atenção ou cuidados necessários, mas isso não importa. Isso não será lembrado.

O baluarte da eficiência será enaltecido pelos números. Ah! Os números, eles não mentem!

Aqueles que duvidam, aguardem.